terça-feira, 13 de agosto de 2019

D'Alessandro: O início de uma história de amor.

FOTO: Jefferson Bernardes/Preview.com

13/08/2019
Texto|Rosita Buffi

Não vou dizer que lembro exatamente de tudo que aconteceu dia 13/08/2008 na estréia de D'Ale pelo Inter.
Era GreNal, e como todo embate caseiro, o dia estava tenso, pesado, cheio de entusiasmo, misto de apreensão e nervosismo, afinal era um Clássico pela Sul-Americana, poderíamos obter uma vantagem, e no próximo eliminar da competição nosso oponente e eterno rival. 

A escalação era segredo.
Sem falar cm a imprensa, D'Alessandro, a atenção de todos olhares,  era dúvida:
"- O D'Alessandro se enquadra no grupo de jogadores que está em um processo acelerado para entrar no time, o que não quer dizer que sairá jogando." - Falou Tite, técnico do Inter.
Mas a torcida estava na expectativa da estreia do Gringo, que mantinha silêncio e era a sensação daquele pré Grenal. Só se falava disso.


Como era esperado, e contra os reservas do Grêmio, D'Alessandro fez sua estréia pelo Internacional:
 "Todos os olhos estavam pregados na jornada de D'Alessandro, a grande atração. Viram o canhoto argentino ainda longe da sua melhor forma, porém um jogador diferenciado, de excelente toque de bola, rápido e que pode dar certo no Beira-Rio." ( Luis Zini Pires, ZH)
E como deu certo.

Não poderíamos naquele dia ter a noção do quanto D'Alessandro seria importante para o Clube, e para a torcida do Inter.
Mas desde a recepção no aeroporto já sentíamos aquele arrepio, aquele brilho no olhar, tínhamos o vislumbre, sem saber ao certo, do que o Gringo poderia nos dar. E do rumo que nós dariamos a vida dele.
A empatia nem sempre esteve presente. Ele foi conquistando aos poucos os torcedores mais reticentes, mas conquistou de vez aqueles torcedores movidos a paixões intensas, que viram no canhoto franzino, um Gigante em campo: mescla de dribles perfeitos, gols e aquela velha marra argentina de ser o cara que gesticula, briga, e dá alma em cada lance, em cada jogo. 

Vimos nascer ali nos gramados do Beira Rio um ídolo. O cara que representa o torcedor em campo. Ali nasceu uma história de amor e que aumenta a cada dia desses 11 anos ...
D'Alessandro já foi falado, já foi cantado, já foi traduzido de várias maneiras por todos os Colorados, a história dele já está escrita em nossas arquibancadas, e vai ecoar pelos gramados do Gigante pela eternidade, assim como Bodinho, Falcão, Figueroa, Fernandão e tantos outros.
D'Alessando deixará sua marca com certeza em cada torcedor que teve o privilegio de vê-lo jogar com nosso manto colorado. Falaremos dele, de seus feitos, de sua canhota, de sua Laboba, de suas entrevistas lúcidas e de toda as polêmicas, que sua paixão pelo futebol trouxe, trazendo boas lembranças de Clássicos e jogos que Independente do resultado, ele foi a atração!

D'Alessandro também é o 15º maior artilheiro da história do clube gaúcho, com 92 gols e o 8º jogador que mais marcou gols pelo Inter em Grenais com 9 gols, além de ser o quarto jogador com mais atuações e partidas internacionais pelo Inter (58). Em 2018, se tornou o maior artilheiro do novo Beira-Rio, com 23 gols.
Além disso D'Ale tem se tornado um exemplo de cidadão em Porto Alegre.
Suas ações beneficentes, o Lance de Craque e a maneira diferenciada que lida com seus fãs, o fazem um atleta que se destaca no âmbito social.
O Futebol para D'Alessandro nunca será só dentro de campo.
Ele carrega o estigma dos Campeões. Aqueles que fazem a diferença.

Brindemos à D'Alessandro.
Vamos curtir esse jogador em campo, vamos aplaudir esse ser humano a cada jogo do Lance de Craque.
Anotem tudo em relação a D'Alessandro. Para que no futuro saibamos falar com honra e sabedoria de toda sua grande e vencedora história no Sport Club Internacional.

"No anúncio da escalação colorada pelo sistema de som do Beira-Rio, a torcida aplaudiu todo o time, especialmente Guiñazu e Daniel Carvalho. Mas a maior explosão do estádio foi quando o narrador anunciou D'Alessandro. Foi como se um gol houvesse acontecido."

Fotos/Fonte: Sport Club Internacional


domingo, 30 de junho de 2019

Os 5 motivos para amar D'Alessandro.



Domingo, 30|06|2019
Edição| Zita Buffi
Fotos| Ricardo Duarte

Amanhã Inter retoma os treinos no CT Parque Gigante.
 E no mês que D'Ale completará 11anos em Porto Alegre .
Falar que é amado, craque, ídolo, líder, é redundante. Todos sabem !
Há quem concorde, há quem discorde.

Por isso a Fer, fez esse texto, onde explica os 5 motivos para amar D'Alessandro.


Por Fernanda Pontes Machado.

1. Você já percebeu a linguagem corporal dele? Eu tenho certeza que ele é tímido mas faz um esforço enorme para agradar as pessoas que estão sendo gentis com ele. Lembro até hoje do primeiro jogo dele pelo Inter, um GreNal pela Copa Sul-Americana em 2008 (nossa, já faz tudo isso?). Por acaso eu estava no estádio naquela noite. Quando o sistema de alto-falantes chamou o nome dele, eu vi o argentino entrar meio encolhido no campo, um pouco intimidado por aquela explosão de alegria com a reação ao nome dele, um quase desconhecido. Mas antes do jogo começar, ele virou de costas, levantou as mãos como se estivesse regendo a torcida, e o homem se transformou. Naquele momento, tudo foi dito em gestos, sem palavras: ele estava ali agradecendo a confiança depositada e prometendo dar o máximo de si por nós. Foi naquela noite, naquele exato gesto, que eu me apaixonei pelo ídolo.

2. Eu conheci ele pessoalmente. Morria de medo de fazer isso porque, bem, às vezes não é bom conhecer seus ídolos de perto. Eles podem deixar de sê-lo, e eu morria de medo que isso acontecesse comigo. Mas quem eu conheci naquele evento foi a pessoa mais gentil do mundo: conversou com todo mundo com um sorriso que não vinha só dos lábios, mas principalmente dos olhos; tirou fotos, várias por vez, com todo mundo que pedia uma chance; abraçou as pessoas, especialmente as que choraram ao vê-lo assim, tão de perto (não confirmo nem nego que eu tenha sido umas dessas pessoas); assegurou-se ao máximo que todos ali fossem bem recebidos e se sentissem acolhidos. Se com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, tornar-se um dos maiores ídolos do futebol gaúcho fez com que ele se dedicasse cada vez mais a esse papel público. Não precisa acreditar apenas no meu relato: pergunte a qualquer pessoa que o tenha conhecido pessoalmente se ele teve algum tipo de comportamento diferente do que eu contei. Pode perguntar para um gremista também, se quiser. Vai lá, eu fico aqui  num banquinho esperando pela sua resposta.

3. Eu nem sei por onde começar a contar sobre a filantropia dele, porque honestamente nem sei se alguém tem a noção real do quanto ele faz por aqueles que estão à margem da sociedade ou passando por dificuldades. Eu sei que todos os anos ele promove um jogo de futebol beneficente em prol de várias instituições que ajudam crianças carentes: "o futebol me deu muito. eu senti que tinha a necessidade de retribuir um pouco, podendo fazer do futebol um instrumento para ajudar as pessoas que mais precisam". Isso sem contar todas as vezes que eu vejo ele nas redes sociais doando dinheiro, itens pessoais, mas principalmente a presença e a atenção dele para quem precisa. Quando eu penso nisso eu chego a me envergonhar de mim mesma, que doo meia dúzia de trocados para os refugiados todo mês e acho que estou fazendo grande coisa.

4. O cara é leal. Você pode não gostar de futebol e achar bobagem alguém se identificar tanto com os torcedores de um clube (ou, no caso dele, dois clubes: o Inter aqui e o River na Argentina); eu não acho. Me dá uma sensação de pertencimento saber que ele é essa constante nas duas torcidas, que ele se empenha de corpo e alma ao que ama. Ele também tem uma ligação profunda com Buenos Aires, com a família dele, com os amigos da infância, e sério, quem não teria?, Afinal Buenos Aires é maravilhosa e é a terra natal dele. Mas ele também não perde a chance de expressar o amor que ele tem por Porto Alegre, a cidade que se tornou o outro lar dele nos últimos 11 anos, mesmo quando Porto Alegre esteve tão em baixa que virou lugar comum por aqui dizer que essa cidade é o pior lugar do mundo. Eu acho extraordinário que esse cidadão do mundo seja tão apegado aos seus.

5. Ele é um baita jogador de futebol, talvez o melhor que já tenha passado pelo Inter.

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Eu não tenho muito certeza sobre a ordem dos quatro primeiros itens do meu Top 5, pra ser sincera. dependendo do dia, eu valorizo algumas dessas características mais do que as outras. Mas o que eu tenho certeza é que o item 5 é sempre o último entre eles. Porque ele é ótimo profissional, disso eu não tenho dúvida, mas ser uma pessoa boa deveria estar no topo da lista de prioridades de qualquer um, antes da carreira, do dinheiro, ou de qualquer coisa material. E é por ele ser tudo isso que eu sou fã dele.
O futebol dele é um detalhe.



sexta-feira, 8 de março de 2019

Entrevista espetacular de D'Alessandro!


Foto: arquivo\blog

Uma aula! Foi assim a coletiva  de D'Ale nessa sexta feira no CT Parque Gigante. 
D'Ale, sempre lúcido e direto nas entrevistas, falou sobre Odair, titularidade, boatos e tática. 
Aqui alguns momentos da longa e coerente conversa de D'Ale com os jornalistas:

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D'Alessandro: "É muito bom ter o Odair como técnico. Nós temos uma relação muito próximo. Eu respeito ele e me sinto respeitado. Quando ele decidir que eu devo jogar, eu vou me doar o máximo. Se não, vou seguir trabalhando e aceitando as decisões dele".

D'Alessandro: "Eu preciso ser exemplo. Eu sou o primeiro a cobrar quando tem uma atitude ruim no grupo. Então eu aceito as decisões do Odair e respeito o grupo. Isso é para muitos que inventam coisas. Tenho salário em dia e isso não existe. Minha relação com o Odair é ótima".

D'Alessandro: "Quando se fala no meu nome sempre se relaciona com salário e grana. Sempre foi assim. Lembro da capa de um jornal em 2009, quando mal tinha chegado e tive uma fase ruim com o Tite. Só se falava no meu salário".

D'Alessandro: "A gente não joga bem ou mal por dinheiro. Somos humanos. Temos dias ruins, mas estamos muito expostos. As críticas servem para a gente crescer e evoluir. Eu sei quando erro e quando não joguei bem. Não gosto das críticas pessoais dos formadores de opinião".

D'Alessandro: "Às vezes uma mentira se espalha e entra na mente do torcedor. Fica complicado. Entra em jogo meu caráter como atleta. Não é aceitável isso".

D'Alessandro: "Cada jogo é uma história diferente. Jogar fora de casa é diferente de jogar no Beira-Rio. Já mostrei que posso dar conta fisicamente. Algumas posições exigem mais esforço físico do que outras. Em 2015, joguei por fora e acho que posso repetir com o atual tripé".

D'Alessandro: "Eu me desgasto muito mais do que em anos anteriores, mas posso fazer também o tripé. Aí teria que recorrer a outro jogador durante o jogo. Mas nunca vou me negar de atuar em qualquer posição. Estou aqui para ajudar o grupo, a comissão técnica e o Inter".

D'Alessandro: "Será jogo difícil no Beira-Rio. Os times vem para cá e se fecham. Temos que ter paciência. Pouco importa se será titular ou reserva. Esse nomenclatura só é usada por vocês. Temos um grupo. Todos são importantes. Às vezes um reserva é mais importante que titular".

D'Alessandro: "Não existe isso de baixar a intensidade porque é Gauchão. Vamos dar o máximo. Temos que estar nas pontas dos cascos para estarmos preparados para a Libertadores".

D'Alessandro: "Vitórias sempre dão confiança e apoio do torcedor. Nós sabemos o que eles querem. Vamos tentar fazer. Precisamos do esforço deles para vieram o jogo. Precisamos do torcedor no Beira-Rio. Junto com eles a força do time é diferente".

D'Alessandro: "Nossa estrutura de time no Chile não é uma equipe de posse de bola. Até tentamos, mas é um time de força e pressão. Quando não dá, esperamos o adversário e ganhamos espaço para jogar no contra-ataque. Temos jogadores como o Nico, Pottker e outros que ajudam nisso".

D'Alessandro: "Em casa, jogando contra time fechado, nos complicamos porque temos menos espaço. Temos que ter paciência. Atacar marcando. Temos que propor o jogo, ficar expostos. Mas temos que ser inteligentes e buscar o melhor equilíbrio na maneira de jogar".

D'Alessandro: "Se eu fizesse gol de cobertura na Libertadores, teria vindo ontem dar coletiva. Fisicamente me sinto muito bem. Queria entender só qual é a cobrança sobre o D'Ale. Eu nunca marquei, nunca fui rápido e nunca fui um jogador com as características que o Patrick tem".

D'Alessandro: "Não sei porque se cobram coisas de mim que eu nunca tive. Nunca fui rápido. Quem tem que correr mais é a bola. Eu faço ela correr. Eu faço ela chegar ao companheiro. Quando eu não fizer isso, aceito todas as cobranças que vierem".

D'Alessandro: "Óbvio que eu queria sair jogando no Chile. Eu tô entendendo meu novo papel. Faz parte da minha evolução como atleta dentro do grupo. Eu respeito as decisões do Odair e o grupo. Mas eu tenho vontade. Quero jogar. Nunca vou deixar de ter isso dentro do campo".

Colaboração: Lucas Collar


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Torcedor: Dignidade e caráter, não se negociam. Sejamos dignos de nossos ídolos!


Retorno de D'Ale em 2016.
Foto de Ricardo Duarte.
21|02|2019
Texto: Rosita Buffi

Um Clube de futebol envolve e
mexe com sentimentos inexplicáveis:

Como explicar passar horas na fila ou no telefone para comprar aquele ingresso para uma final de campeonato?
Como explicar juntar dinheiro, deixar de sair, para comprar o novo manto tão amado e esperado?
Como explicar o choro naquele jogo difícil valendo campeonato, no golzinho aos 46 min do 2T? E nesse mesmo jogo abraçar, beijar, compartilhar essa paixão cm pessoas ao seu lado totalmente desconhecidas?
Como explicar só falar de futebol nas redes sociais ao ponto de ser chamado de louco?

Chegada de D'Ale em 2008.
Foto: Lucas Uebel
Como explicar tua paixão por um ídolo? Pelo cara que veste a camisa e faz em campo exatamente o que tu farias se lá estivesses? O cara que te representa, o cara que tu admiras, que joga o fino da bola, e leva no coração também as cores do teu time? Como explicar esse amor?
Não tem como. Só nós, os loucos por futebol, entendemos.
A magia que envolve esse amor ao futebol não se explica, se sente!
D'Ale e Fernandão.
Foto: Ricardo Duarte
E é por esse amor todo que temos por nosso Capitão ( para nós, sempre será) e ao nosso INTER, que muitas pessoas questionam e criticam, que estamos aqui. Pelo INTER, D'Alessandro é ídolo. E junto com isso veio a aproximação, e fomos além, veio a amizade e a admiração só cresceu.
Porque o ídolo era exatamente a pessoa que a gente sonhou.
O Inter já tem em sua galeria de idolos nomes respeitados, e reverenciados. Mas na atualidade, nosso grande nome é D'Alessandro.
Alguma vez ele desrespeitou a camisa que vestiu? Não.

D'Alessandro ama o Inter, pensa no Inter 24 horas por dia.
Não é à toa que é o jogador mais falado e perseguido nas mídias. Atormentado pelos rivais. 
Nós, Colorados, não precisamos fazer o mesmo.
Devemos cuidar de D'Alessandro.
Devemos tratá-lo com o carinho e o respeito que ele merece.

Talvez este seja o ultimo ano em  que o vemos em campo.
Ele sabe bem a parte dele nisso. O que tem que fazer.
Mas uma parte da torcida não sabe.
Pode-se não gostar do camisa 10, mas não podem dizer que ele é "veterano" e simplesmente descarta-lo,  que não "serve", que tem que saber o seu "lugar".
Tratar um jogador que sempre se manteve como um dos melhores condicionamentos físicos e referência do plantel dessa maneira é maldade.
É desleal.
E ele faz isso pelo Inter.
Ele pensa na carreira pelo Inter. Planeja. Constrói .

Não dá para esquecer os inúmeros gols em Gre-Nal, as vezes que ele, indignado pelas injustiças sofridas, saiu de campo chorando. Não dá para esquecer ele indo embora em 2016 por não compactuar cm as coisas que aconteciam, e depois voltar na B, baixando salário para nos ajudar. Não dá para esquecer que ele poderia estar muito bem jogando na Argentina, na Colômbia, no Uruguai, sem pressão, mas sem amor.
Não dá para esquecer ele e sua família, que aqui fizeram morada e tudo que  fazem na nossa cidade, no nosso Estado, pelo próximo.
Tu esqueces tudo isso e vaias e xingas e ofendes e menosprezas D'Alessandro  pela idade?
Tu nunca foste torcedor .
Tu nunca amaste o futebol.

"Dignidade e caráter não se negocia."







Fotos: Ricardo Duarte.